Socorro, Portugal
Neste artigo procuraremos demonstrar como a visão ascendente do bottom-up proposta pela suposta “descentralização” levada a cabo na reforma da administração do poder local português dos últimos anos, na verdade se afigura como uma estratégia de governamentalidade e de governança ao serviço de uma microgeografia do poder neoliberal. Entranhado na sociedade civil, o neoliberalismo contamina o tecido socioeconómico do espaço regional através dos chamados poderes difusos, a favor de novas técnicas de governamentalidade, de que os orçamentos participativos, a cidadania participativa e as metodologias de planeamento bottom-up são o melhor protótipo, enquanto dispositivos e práticas de uma pretensa descentralização. Todas estas estratégias são subvertidas pelos poderes neoliberais de forma a produzirem um consenso social conducente a um pensamento único hegemónico, ele próprio tributário da emergência de uma sociabilidade neoliberal cada vez mais individualista, mascarada de ação cívica, empreendorismo e empoderamento.
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