O presente artigo pretende colocar em confronto o romance A Paixão segundo G.H. e o conto «A quinta história», de Clarice Lispector, ambos publicados em 1964. As duas narrativas acompanham mulheres protagonistas em contato com seu duplo estranhado —a barata—, espelhando-se em função de afinidades e inversões na relação com esse Outro ameaçador. Pelo viés da psicanálise, com apoio no ensaio freudiano «Das unheimliche» (1919), busca-se analisar os procedimentos textuais que tensionam e/ou transgredem as noções de gênero, personagem, leitor e, no limite, da própria linguagem. A partir do efeito de estranhamento e da experiência da «infamiliaridade», os textos claricianos apontam para uma anti-odisseia homérica, construindo um sujeito cindido e descentrado
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